A verdadeira história por trás do thriller ‘La Captura’, estrelado por Alfonso Herrera. Descubra o que realmente aconteceu na madrugada em que o maior narcotraficante do mundo foi parado por dois policiais.
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Linha 4 Amarela – Felipe Simmons Mendes
Um atentado no metrô em horário de pico, um mistério sobre o “SETE” e uma corrida contra o tempo. Um suspense eletrizante e imprevisível!
Disponível no catálogo da Netflix, o filme mexicano La Captura escolheu uma abordagem bastante diferente de outras produções sobre o narcotráfico. Em vez de focar na ascensão do Cartel de Sinaloa ou em perseguições mirabolantes, a obra atua como um thriller psicológico contido. A trama acompanha a madrugada de 8 de janeiro de 2016, quando dois agentes abordam um carro roubado em uma estrada vazia sem imaginar que estavam diante do homem mais procurado do planeta.
A seguir, analisamos os fatos históricos que inspiraram a produção e o que foi criado exclusivamente para o roteiro.
O que é REAL em La Captura?
A sequência inicial que desencadeia o filme é completamente baseada em fatos documentados. Seis meses após sua famosa fuga do presídio de segurança máxima do Altiplano através de um túnel altamente estruturado, Joaquín “El Chapo” Guzmán estava escondido em Los Mochis.
A Operação Cisne Negro, liderada pela Marinha mexicana, cercou a casa onde o traficante se escondia. No entanto, para escapar do confronto, El Chapo e seu braço direito, Jorge Iván “El Cholo” Gastélum, desceram para os bueiros da cidade. Consequentemente, fortes chuvas encheram os dutos de drenagem, forçando os dois criminosos a retornarem à superfície. Sem opções, eles roubaram um veículo na tentativa de fugir pela estrada, momento em que foram interceptados por uma patrulha de rotina da Polícia Federal.
A base jornalística da produção vem das crônicas do jornalista mexicano Héctor de Mauleón, que documentou minuciosamente os bastidores operacionais daquele dia.
O que é FICÇÃO em La Captura?
Apesar de a abordagem na estrada ter acontecido, tudo o que ocorre dentro do veículo e o diálogo entre os agentes e o narcotraficante são frutos da dramatização. O roteirista Bernardo Esquinca utilizou a falta de registros biográficos detalhados sobre os policiais reais para construir o drama interno dos personagens Arturo Carmona (Alfonso Herrera) e Héctor Rosales (Noé Hernández).
Dessa forma, a pressão psicológica vivida pelos agentes — o medo de um resgate iminente por parte do cartel e a tentação de aceitar subornos milionários para deixá-lo ir — funciona como um exercício dramático sobre a corrupção e a moralidade humana. Os nomes e personalidades dos policiais foram adaptados para dar ritmo ao suspense de câmara.
Vale a pena assistir?
Certamente sim. Por se tratar de um filme pequeno e focado em um único evento, La Captura ganha pontos ao ignorar a romantização da vida de luxo do crime. O suspense nasce do silêncio, das trocas de olhares e da hesitação de dois homens comuns colocados diante do mal absoluto.
